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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Entre a Cruz e a Suástica - Parte 1


Aproximando-nos dos 68 anos da morte de Hitler, uma ferida ainda sangra nas fileiras cristãs: diante das atrocidades nazistas, muitos seguidores de Jesus tiveram de optar entre a omissão, a moderação ou a tomada de atitude em nome da fé.

Fevereiro de 1944...

No Vaticano, o papa Pio XII discute os últimos acontecimentos da guerra com seus principais assessores.

A cúpula da Igreja manifesta seu descontentamento com a recente destruição do Mosteiro Monte Cassino, na Itália, pelas forças aliadas, mesmo sabendo que a retomada do local representa um duro golpe contra os nazistas. 

Numa rua próxima, um padre se desespera com a deportação iminente de pelo menos mil judeus italianos para os campos de concentração de Hitler. Percebendo que só uma intervenção direta do papa poderá salvar aquelas pessoas, o padre corre para buscar o auxílio de Sua Santidade. Porém, ao adentrar o salão em que se realizava a reunião das lideranças católicas, recebe de pronto um olhar de desaprovação dos cardeais.

O jovem sacerdote não se abala e clama por ajuda: "Santo Padre, mil judeus serão deportados, a menos que interceda". Sem demonstrar surpresa, o papa responde calmamente: "Quem está ao lado dos perseguidos fala pela Santa Casa. Mas, neste assunto, só a moderação poderá nos salvar. No momento certo, intercederemos para restaurar a paz universal que reunirá todos os cristãos. Nossas orações, nossos gritos de dor..." - neste instante, Pio XII se cala e todos se voltam para o padre. Transtornado, o jovem recua e, com uma das mãos, prende uma estrela de Davi na batina.

O gesto indicava que ele não conocordava com a moderação do papa e estava disposto a ser levado para os campos de concentração. Os cardeais o acusam de blasfêmia. Com lágrima nos olhos, o padre pede perdão, se retira e caminha até o trem em que os judeus estavam sendo embarcados para deportação. 

As cenas dramáticas acima descritas fazem parte do filme Amém, do diretor grego Costa-Gravas. Inspirado em fatos reais, o longa-metragem conta a história de dois homens que se uniram para tentar impedir o genocídio da Segunda Guerra Mundial. 

O primeiro é um oficial da polícia secreta alemã, que inconformado com a matança e milhões de inocentes, tenta fazer acordos com líderes cristãos para impedir mais mortes. 

O segundo é o padre apresentado acima, um jesuíta convicto de sua missão: reduzir o número de vítimas do holocausto. Lançado em 2002, o filme causou polêmica ao sugerir uma postura pouco combativa das lideranças católicas e protestantes em relação ao regime nazista após a morte de Adolph Hitler.

O tema abordado pela obra ainda é uma ferida não totalmente cicatrizada da história recente dos seguidores de Jesus: a relação ambígua entre as igrejas cristãs e o regime assassino do Führer alemão. 

Em nome de Cristo

Segundo estudiosos, o regime de Hitler não era totalmente desprovido de fundamentação religiosa. Em seu livro O Santo Reich, o historiador Richard Streigmann-Gall, da Universidade Kent State, nos Estados Unidos, faz um levantamento das inclinações religiosas da elite do Partido Nazista. 

 Segundo ele, muitos dos protagonistas do regime nutriam vínculos estreitos com a fé cristã. Essa ligação era mais óbvia no que tangia aos judeus, mas também no que dizia respeito a um vasto leque de questões como o marxismo, liberalismo, o direito da mulher e o homossexualismo. 

Em outras palavras, parte da elite nazista utilizava a Bíblia para sustentar atos abomináveis, como a perseguição e o extermínio dos judeus. Eles recorriam a tradições cristãs para articular sua visão do nazismo, não apenas para o povo alemão, mas sim, acima de tudo, de uns para os outros e para si mesmos. 

Outros autores, como John Cornwell, autor de O papa de Hitler, têm uma visão semelhante. O Cristianismo - e o Catolicismo em particular - tinha longa história antijudaísmo em termos religiosos, algo que não diminuíra no século 20. 

Não era parte da cultura católica perseguir judeus com base na ideologia racial hitlerista, muito menos justificar o extermínio da raça. E no entanto, à primeira vista, o Catolicismo parecia ter ligações com o nacionalismo de direita, o corporativismo e o fascismo, que propunham o anti-semitismo.

Porém, embora duras afirmações como essas muitas vezes reflitam os fatos, de forma alguma elas podem ser generalizadas. 

Se alguns penderam para a suástica, a maioria manteve-se fiel aos ideais da cruz. 

O número de líderes religiosos alinhados às forças nazista não era tão significativo. Entre os protestantes, eles eram apenas 5% do total, pesquisa feita pela Universidade de British Columbia, no Canadá. 

Além disso, a versão dos Evangelhos proclamada por eles, que defendia, entre outras coisas, a exclusão de todos os judeus, era condenada por 95% de seus colegas.


Continua...



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Mensageira do Céu - Parte 2


As duas primeiras partes do segredo de Fátima foram reveladas por Lúcia em 1927.

Segundo a Igreja, a primeira dizia respeito à premonição sobre a vida das crianças - Francisco e Jacinta estariam pouco tempo entre os mortais e Lúcia viveria mais, como realmente aconteceu.

Parece haver também uma "visão do Inferno", já que Lúcia viu imagens que sugeriam isso, projetadas na superfície da esfera que a aparição portava.

A segunda parte mencionava o fim da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda, além da ascensão e queda do comunismo da União Soviética. O restante do segredo ficaria oculto durante seis décadas por vontade expressa da Virgem Maria, de acordo com Lúcia.

Ao final de 1943, Lúcia - então gravemente doente - escreveu a terceira parte por ordem do padre jesuíta com quem se confessava. Mas esta só foi revelada no dia 26 de junho de 2000, por decisão do papa João Paulo II.

Falava de um anjo com uma espada de fogo, um "bispo vestido de branco", que caminhava entre os escombros de uma grande cidade com muitos cadáveres, principalmente de religiosos. Ao chegar no alto de um monte, ele era morto por um grupo de soldados.

O cardeal Joseph Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, apresentou uma interpretação que satisfazia ao papa: "O bispo branco" seria João Paulo II, que sofrera um atentado a bala em 1982. A interpretação não agradou a todos, porque na profecia o bispo morria e, na vida real, o papa sobreviveu.


E o Mistério Continua...

Embora o segredo tenha sido divulgado pela Igreja, alguns pesquisadores acreditam que seu conteúdo possa ter sido manipulado. Segundo alguns teológos, as duas primeiras partes do segredo de Fátima eram convenientes para a política de alguns países ocidentais da época.

Elas silenciaram o facismo europeu, os ditadores Hitler e Mussolini e o extermínio de 6 milhões de judeus, mas satanizaram a Rússia e o comunismo por combaterem o Catolicismo e por serem pomotores de guerras.

Alguns historiadores como Fernandes e D'Armada, que são co-autores do livro Fátima: Nos Bastidores do Segredo, também defendem que, ao redigir o mistério, Lúcia teria sido influenciada por seus confessores.

Um deles chamava-se José Bernardo Gonçalves. Ele já era confessor de Lúcia quando a Rússia passou a figurar na mensagem de Fátima. Teve, assim, acesso ao segredo e influência sobre sua redação antes de as aparições serem consideradas "digna de crédito" pelo bipo de Leiria, em 1930.

Esses pesquisadores acham que por trás destas manobras se ocultava um antigo sonho da Igreja: a conversão da Rússia ao Catolicismo.

A Igreja não faz novos pronunciamentos sobre esse assunto. Mas permanecem as teorias de que a mensagem não foi devidamente interpretada e pode ocultar revelações importantes à humanidade.

A única pessoa que poderia comprovar ou negar essas teorias morreu em 13 de fevereiro de 2005. Depois de viver 83 anos enclausurada, irmã Lúcia levou consigo o divino segredo de Nossa Senhora.


Guardado a 7 Chaves

Em um manuscrito de Lúcia pouco conhecido, datado de 1922, ela conta que o segredo revelado pela apareição constava de "palavrinhas".

A menina teria sido a única a ouvir a entidade falar enquanto as outra duas crianças, que estavam junto a ela, teriam escutado apenas zumbidos. Nenhum dele disse ter ouvido um zumbido mais longo a ponto de poder ter sido comunicado à vidente um discurso complexo.

Em 1927 Lúcia "recebeu permissão do Céu" para revelar as duas primeiras partes do segredo de Fátima. Anos depois, já no convento de Tuy, na Espanha, seu confessor ordenou que redigisse suas memórias, incluindo a terceira parte da revelação.

Em 1944 o manuscrito do "terceiro segredo" foi levado ao bispo de Leiria. O Santo Ofício pediu uma fotocópia dos escritos de Lúcia, além da carta lacrada contendo a sigilosa mensagem.

Na década de 50, o papa João XXIII teria lido o documento, mas não se pronunciou a respeito. O cardeal italiano Ottaviani afirmou que, em 1967, o mesmo papa guardara o segredo num arquivo, uma espécie de poço "no qual cai a carta até o fundo negro, muito negro, e ninguém vê mais nada".

Por isso acredita-se que o manuscrito original do segredo de Fátima esteja perdido em algum arquivo da Igreja.


FIM.:.



Referências Bibliográficas


Livro

Fátima: Nos Bastidores do Segredo, de Fina D'Armada, ed. Martins Fontes, 2001

Site
www.santuario-fatima.pt

Vídeo

 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O que foi o Índex?


Abolido em 1962 pelo papa João XXIII, no concílio Vaticano II, o Índex era uma lista de livros proibidos pela Igreja Católica.

Desde o início do Cristianismo, as autoridades eclesiásticas tentavam controlar o que não devia ser lido pelos fiéis, mas a censura só foi oficializada no século 16, quando o pontífice Pio V instituiu a Sagrada Congregação do Índice (Índex), que elaborou um catálogo das obras proibidas, periodicamente atualizado a partir de sua criação.

Os livros só eram impressos após passar por um censor oficial, que julgava se a tinha algo de nocivo. Eram vetadas publicações que propusessem qualquer tipo de heresia ou superstição, que contivessem obsceniddes, ou que tratassem de assuntos religiosos de forma não respeitosa.

Como dizia o prefácio do Índex publicado em 1390: "Livros irreligiosos e imorais estão, às vezes, redigidos em estilo atraente e tratam com frequência de assuntos que afagam as paixões carnais e lisonjeiam o orgulho do espírito."

Segundo estudiosos, porém, o crivo da Igreja muitas vezes deu margem a arbitrariedades. De fato, fizeram parte da lista negra, por exemplo, clássicos como Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo e, A Origem das Espécies, de charles Darwin. 

Não podemos  julgar a cultura de outras épocas com os critérios da nossa, mas não há como justificar o fato de o Índex ter sido mantido por tanto tempo.


Fim.
Aranel Ithil Dior. Tecnologia do Blogger.

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