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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Como Rezam as Diferentes Religões do Mundo?


A prece é um elemento universal da espiritualidade humana, encontrada em todas as tradições religiosas. Cada uma delas segue seus próprios rituais, mas o objetivo principal é o mesmo: comunicar-se com a divindade, numa atitude de devoção e máximo respeito.

Antes mesmo de existirem sistemas de crença constituídos, o ser humano proferia palavras de apelo ao Criador, sempre com o sentido mágico de obter paz interior e alívio para o sofrimento.

Confome a doutrina, o rito pode incluir ainda procedimentos especiais. Os muçulmanos, por exemplo, sempre oram volatados para a cidade de Meca, na Arábia Saudita, onde está seu principal santuário. Além disso, só é permitido rezar em locais limpos, daí a utilização de um pequeno tapete. Ele pode ser levado para qualquer parte e é uma garantia de que se está rezando sobre um local puro.

No Catolicismo, por sua vez, ao final da prece é obrigatório fazer o sinal-da-cruz. Jesus ensinou assim, segundo a doutrina católica e, por isso, os seguidores do catolicismo seguem esse preceito.

Em alguma crenças, como o Budismo e Hinduísmo, a oração busca não só aproximar o praticante de uma realidade superior, mas também ajudá-lo a desenvolver estados mentais considerados superiores, como a calma e a alegria. É uma forma de trazer bençãos protetoras para o dia-a-dia.

Confira abaixo como alguns credos fazem da oração uma reverência ao Sagrado:

Muçulmanos

O fiel reza cinco vezes ao dia, sempre voltado para a cidade de Meca, na Arábia Saudita. Durante a oração, inclina-se para a frente, prostrado no chão, em sinal de reverência ao Criador. Reza-se sobre um tapete - cada um deve ter o seu e cuidar de mantê-lo sempre limpo.

Judeus

Na sinagoga, cada fiel tem o seu próprio livro de orações. Conforme a sequência de preces, ele alternadamente se levanta, ajoelha-se e em seguida senta-se novamente. Os homens têm de usar um pequena touca, o solidéu, como demonstraçõe de respeito a Deus.

Budista

A prece é feita diante de um relicário com a imagem de Buda. Para rezar, o budista junta as mãos, se ajoelha e se curva três vezes diante da imagem. Depois, faz as oferendas (flores, vela e alimentos), que simbolizam o ciclo da vida, a luz dos ensinamentos e a gratidão.

Católicos

A religão contém dua orações básicas: O Pai-Nosso e a Ave-Maria. Muitas vezes, o fiel reza com o rosário de 165 contas, correspondente a 15 vezes a primeira prece e, 150 a segunda. O católico geralmente reza ajoelhado e ao terminar sempre faz o sinal-da-cruz.


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Tesouro do Islã - Parte 3



Moisés fala com Deus

Certo dia, ele disse à família: "Avistei fogo, trar-vos-ei notícias dele, ou trar-vos-ei as brasas, para acenderdes uma fogueira que vos aquecerá". Quando, porém, se aproximou das sarças, ouviu uma voz: "Bendito seja Quem está dentro do fogo e em suas vizinhanças, e glória a Allah, Senhor do Universo!

"Ó Moisés, Eu Sou Allah, o Poderoso, o Prudentíssimo."

Moiséis pensou em correr, mas Allah o repreendeu: "Não temas, porque os mensageiros não devem temer a Minha presença". Desta maneira, Moiséis recebeu o título de Kalimullah, Aquele que fala com Deus diretamente, sem intermediação dos anjos.

[Assim como narra a Bíblia, o Corão conta que, temendo ver o filho morto, a mãe de Moisés o abandonou num cesto às margens do Nilo. Salvo pela mulher do faraó do Egito, o israelita foi criado na corte. Após matar um homem, fugiu para a região de Median, onde se casou e viveu durante algum tempo, até decidir libertar seu povo do cativeiro no Egito. Para os muçulmanos, ele é lembrado como um grande benfeitor e um profeta que veio ao mundo para difundir a fé no Deus único.]



O Pecado de Adão


"Do barro criarei um homem", disse Allah.

"Quando o tiver plasmado e alentado com o Meu Espírito, prostrai-vos ante ele", ordenou aos anjos, que se prostraram, unanimemente.

Uma única criatura angelical, porém, não se prostrou diante do homem criado, que se chamava Adão. Seu nome era Lúcifer. Ele se ensoberbeceu, e dali em diante passou a se contar entre os incrédulos. Foi Lúcifer, então chamado de Satanás, quem tentou Adão, sussurando-lhe: "Ó Adão, queres que te indique a árvore da eternidade e do reino eterno?"

Adão e Eva comeram os frutos da árvore. Suas vergonhas, então, foram manifestadas e eles puseram-se a cobrir seus corpos com folhas das plantas do Paraíso. Adão desobedeceu ao seu Senhor, deixando-se seduzir. Mas logo o seu Senhor o absolveu.

[Assim como a bíblia, o Corão conta que Adão foi criado a partir do barro. mas quando se trata do episódio da tentação por Satanás, as narrativa divergem. Segundo o livro sagrado dos muçulmanos, Adão e Eva comeram juntos o fruto proibido. Este ato, porém, não é encarado no Islã como pecado, e sim como parte natural da busca humana por conhecimento, representada pelo furto. Com esta experiência, ele perdeu a pureza primordial, mas obteve o discernimento que permite ao homem escolher entre a virtude e o pecado, explicam os mulçumanos. Ao nascer, todo ser humano refaz, em seu microcosmo, segundo a doutrina islâmica, a trajetória do profeta Adão.]



Davi, o Rei Perfeito


E Allah falou a respeito de Davi: "Nosso servo, Dahud, o vigoroso, foi contrito". Quando Davi matou Golias, Allah lhe outorgou o poder e a sabedoria, e fortaleceu o seu império. Davi foi justo e reto, e o Profeta Muhammad se escandalizou quando leu as passagens bíblicas que o denegriam.

Foi então que Allah revelou o versículo condenando os profanadores das Escrituras: "Ai daqueles que copiam o Livro, alterando-o com as suas mãos para negociá-lo a preço irrisório. Ai deles, pelo que suas mãos escreveram! E ai deles pelo que lucraram!"

[Um dos grandes monarcas de Israel, Davi se sobrassai nas tradições judaica e cristã como um guerreiro corajoso e um homem de fé, mas que teria cometido desvios como abuso do poder; adultério e assassinato, embora, ao fim da vida, se mostrasse arrependido. O Corão, entretanto, tem uma visão diferente sobre o rei que unificou os israelita. Segundo as narrativas sagradas dos muçulmanos, Davi teve uma história sem máculas e dedicada à glória de Allah. Teria sido um homem perfeito.]



A Saga de Maria e Jesus


As dores do parto constragiam Maria, e ela retirou-se para um lugar afastado. Sozinha, buscou refúgio junto a uma tamareira. Disse: "Oxalá eu tivesse morrido antes disso, ficando completamente esquecida". Uma voz porém, a chamou: "Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr sob os teus pés um riacho. E sacode o trono da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas".

Desta maneira, ela encontrou alimento e água e pôde dar à luz o Messias, chamado de "Jesus , o filho de Maria".

Deus falou à Virgem: "Ele (Jesus) ensinará a escrita, a sabedoria, a Torá e o Evangelho. E será um mensageiro para os israelitas". Com o beneplácito de Allah, Jesus apresentou uma série de sinais ao seu povo e disse: "Eis que plasmarei do barro a figura de um pássaro, na qual assoprarei, e a figura se transformará em pássaros, na qual assopararei, e a figura se transformará em pássaro; curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os motos, pela vontade de Allah, e vos revelarei o que consumis e entosourais em vossas casas. Eu vim para confirmar-vos a Torá, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos estava vedado. Eu vim com um sinal do Vosso Senhor. Temei a Allah, e obedecei-me. Sabei que Allah é o meu senhor e vosso. Adorai-o. Essa é a senda reta".

Diante da incredulidade entre seu povo, Jesus encontrou apoio nos discípulos, que disseram: "Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Allah, e testemunhamos que somos muçulmanos".

[Maria ocupa o topo da hierarquia espiritual feminina no Islã, sendo considerada a mais perfeita das mulheres. Jesus, muitas vezes chamado de "Espírito da Santidade", tem também um papel de destaque no Corão. Acredita-se aque ele retornará no fim dos tempos para combater o Anticristo e criar um reino de paz na Terra, até o Dia do Juízo.]


FIM.



Referências Bibliográficas

Livros

O Significado dos Versículos do Alcorão, tradução e nota do professor Samir El Haye, ed. Jornalística, 2001.

A Bíblia, o Alcorão e a Ciência, de Maurice Bucaille, Wamy - Assembléia Mundia da Juventude Islâmica.

Compreender o Islão, de Frithjof Schuon, Edições Dom Quixote, 1990.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Tesouro do Islã - Parte 2


Mas este teria sido perdido, e na época de Moisés já não havia senão uma vaga lembrança de sua existência. Para o mulçumano, o Corão é a restauração desse antigo livro (não na letra, mas no espírito), é o Islã, um retorno à religião primordial abraâmica. "Abraão não foi judeu nem cristão; foi, outrossim, monoteísta, muçulmano, e nunca se contou entre os idólatras", relata um versículo corânico da terceira sura.


Visões Diferentes


"Inspiramos-te, assim como inspiramos Noé e os profetas que o sucederam,; inspiramos Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e as tribos, Jesus, Jó, Jonas, Aarão, Salomão. E concedemos os Salmos a Davi".

O quarto capítulo do Corão traz este versículo em que Deus fala diretamente a Muhammad. É uma das tantas passagens que legitimaram sua missão profética e instauraram a nova religião. Fica, porém, a pergunta: Se Deus é um só, como podem haver certas discrepâncias entre as narrativas contidas na Bíblia e as narrativas corânicas?

Historicamente, cada religão tomou uma feição própria, e tal feição nunca esteve a salvo das modificações introduzidas pelo homem. Sendo a última religião revelada, o Islã, embasado no Corão, serviu como uma correção de rumo para a humanidade. Já na juventude, em Meca, o profeta Muhammad acreditava que certas passagens bíblicas, em especial algumas do Antigo Testamento, haviam sido adulteradas ao longo dos tempos em prol de interesses escusos. Com a revelação do livro sagrado ao Profeta, Deus teria pretendido corrigir os erros contidos em outras escrituras.

As diferenças entre o Corão e outros escritos sagrados não nascem , contudo, apenas de erros. Um dos maiores desacordos entre o Islã e o Cristianismo,  por exeplo, nasceu da negação muçulmana aparente de que Cristo seja uma encarnação divina na Terra. Trata-se de uma questão de interpretação. Este ponto chegou a escandalizar os cristãos.

"Jesus Cristo foi uma criatura também", afirmam os mulçumanos. "Cada profeta - e Cristo é um profeta, para o Islã - expressou qualidades específicas de Deus, o Ser infinito. A principal qualidade de Cristo foi a de ser imensamente puro. Ele foi um espelho perfeito da natureza divina".

Como adverte o estudioso suíço das religiões Frithjof Schuon, as abiguidades fazem parte da história das Escrituras, o que pode provocar discrepâncias de interpretações e disputas. "Existe uma desproporção incomensurável entre o espírito, de um lado, e os recursos limitados da linguagem humana, de outro", escreveu ele no livro Compreender o Islão. Os livros sagrados revelam como o Criador tentou inteirar o homem de sua infinitude tendo à mão algumas poucas palavras.

Deus, porém, é mais sábio e sabe aplainar as questões divergentes entre os crentes de várias confissões: "Concorrei na prática do bem, e dirimirei as vossas diferenças".

Mais do que nunca, deve-se ouvir estas palavras do Corão. É uma ironia que o Islã, hoje tão marcado pela pecha de intolerância, tenha um tesouro de sabedoria escondido nas páginas do seu livro sagrado. Santas palavras, como as de todas as Escrituras.


Vendo Também o Outro Lado: A Difícil Escolha de Abraão

Abraão estava com 85 anos e não tinha filhos. Sua esposa Sara, já sem esperanças de gerar uma criança, entregou ao marido a escrava egípcia Hagar, para que ela lhe desse um descendente. Assim, nasceu Ismael. Quando o menino atingiu a adolescência, Allah impôs um teste a Abraão: sacrificar o filho dileto.

"Ó filho meu, sonhei que te degolava; que opinas?", perguntou o velho homem. Respondeu-lhe Ismael: "Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Allah quiser, entre os perseverantes!"

Quando ambos aceitaram o desígnio divino e Abraão preparava seu filho para o sacrifício, o Senhor o chamou: "Ó Abraão, já realizaste a visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores. Certamente que esta foi a verdadeira prova".

Depois de testar a sinceridade de Abraão, Allah anunciou que ele seria o patriarca de dois grandes povos. Um deles lhe seria próximo e descenderia de seu segundo filho, Isaac, a quem Sara, aos 90 anos, dera à luz. O outro povo descenderia de Ismael e lhe seria distante.

Mais tarde, Allah mandou Hagar partir com Ismael para o deserto da Arábia, rumo a uma localidade chamada Meca. ali, ela e o filho quase morreram de sede, até que milagrosamente viram nascer uma fonte de água chamada Zamzam. De´pois disse, Abraão visitou a ex-escrava e o filho muitas vezes.

Em Meca, construiu a Caaba, um templo consagrado a Allah que atraiu muitos peregrinos ao local.

[A história de Abraão, ou Seydina Ibrahim, em árabe, difere da narrativa bíblica. enquanto na Bíblia o oferecido em sacrifício é Isaac - filho dele com Sara - para o corão foi Ismael, o primogênito, quem quase perdeu a vida para a glória de Allah. O dramático episódio é narrado na sura 37. Abraão representa a perfeita submissão do crente frente a Deus.]


Continua...




sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Tesouro do Islã - Parte 1


O livro sagrado dos mulçumanos contém passagens preciosas, reveladas há mais de mil anos. Deixe-se encantar por essas narrativas e encontre nelas personagens familiares também ao Cristianismo e ao Judaísmo.

É dito que o anjo Gabriel procurou a Virgem Maria para anunciar a boa-nova do nascimento de Cristo e revelou para ela:

"Ó Maria, Allah te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro".

A jovem espantada, perguntou para o mensageiro como isso seria possível:

"Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?"

"Disse-lhe o anjo: assim será. Allah cria o que deseja e, quando decreta algo, basta dizer: Seja, e é."

Não fosse pelo nome "Allah" em vez de "Deus", a passagem acima poderia facilmente estar na Bíblia. Ela, contudo, faz parte do Corão, o livro sagrado dos mulçumanos. Revelado ao longo de vinte e três anos a Muhammad, o Profeta do Islã, pelo arcanjo Gabriel (ou Jibril, na tradição islâmica), sua leitura revela um mundo fascinante, mas praticamente inexplorado no Ocidente.

Ao longo de seus 114 capítulos - chamados suras - o leitor encontra belas e comoventes histórias, muitas delas curiosamente protagonizadas por personagens também presentes nas Escrituras sagradas do Judaísmo e do Cristianismo.

Pode causar estranheza que vários versículos do Corão tratem das figuras centrais da fé cristã. E esta estranheza se transforma em espanto quando descobrimos que não só Jesus Cristo (ou 'Issa, seu nome em árabe) e a virgem Maria, mas também Adão, Moisés, João Batista e outros heróis bíblicos são retratados em diversas passagens corânicas: Adão sob o nome de Adam; Moisés, de Mussa; João Batista, de Yahia.

A arabização dos nomes não é a única novidade que aguarda aqueles que se aventuram pelas páginas do Corão. A narrativa do nascimento de Cristo, por exemplo, guarda pouca semelhança em relação à versão bíblica.

Outras histórias, como a do Dilúvio universal do Livro de Gênesis, possuem detalhes dramáticos: nem todos os filhos de Noé, ou Nuh, como é chamado o patriarca, puderam entrar na Arca. Um deles, maldito aos olhos de Allah, foi castigado com a morte na grande inundação. 

A inclusão de personagens da Bíblia no Corão não é nem acidental nem secundária. Um dos pilares de fé do muçulmano é a crença em todos os livros revelados por Deus (como a Torá judaica e os evangelhos cristãos), em Seus anjos e em Seus enviados, os profetas. Para os mulçumanos, os profetas são modelos de comportamento para toda a humanidade, portadores de uma mensagem sagrada (veremos isso mais adiante). 


Livro Restaurado


Quando os versículos do Corão começaram a ser revelados a Muhammad em Meca, no ano 610 d.C., foram marcados por um forte conteúdo ecumênico. "Concorrei na prática das boas ações, pois todos retornarão a Deus. Então, dirimirei as vossas diferenças", disse Allah aos crentes mulçumanos, na quinta sura do livro sagrado. Ele se referia aos adeptos das outra religiões, como o Judaísmo e o Critianismo. 

O denominador comum que permite ao Islã abarcar todos os profetas da história humana se encontra no cerne desta religão: a crença no Deus único. Na visão muçulmana, o Criador é uno e as homens de alto grau espiritual, em todas as eras, teriam acreditado neste axioma.

"Não existe outra divindade senão Deus", é a tradução do testemunho de fé islâmico, que teria sido pronunciado por todos os profeta, começando por Adão e culminando em Muhammad. Para eles, Adão foi o primeiro muçulmano. 

Além da questão doutrinal, por razões históricas também se acredita numa continuidade entre os profetas semíticos. Segundo a tradição, a saga dos muçulmanos começa propriamente com Abraão ou Seydina Ibrahim, que, assim como Muhammad, recebeu de Deus a revelação de um livro sagrado.


Continua...

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