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domingo, 4 de novembro de 2012

Fonte de Satisfação, Perigo de Tentação! - Parte 3


No taoísmo, os novos adeptos fazem um voto tríplice - de não cultivar o desejo da riqueza, da fama e do poder. Não há nada de errado com essas três coisas, eles dizem.

O problema é o desejo de obtê-las. Segundo os taoístas, o desejo acaba levando ao apego, que desperta o egoísmo e, por conseguinte, torna o indivíduo menos integrado ao mundo e ao próximo.

O voto de pobreza, feito por freiras e padres católicos, também se baseia no mesmo ideal de desapego dos orientais. É realizado em nome da missão religiosa e em prol da ajuda à comunidade.

Os fíéis católicos, contudo, não precisam seguir o voto de pobreza. O catecismo da Igreja ensina que todo trabalhador tem direito de ganhar o suficiente para menter a si mesmo e à família.

A importância do trababalho, do bem-estar e de uma vida digna são alguns dos valores lembrados. Por outro lado, o fato de muitos seres humanos viverem em miséria é consideerado uma ofensa ao todo-Poderoso. Deus, de modo algum, quer que seus filhos vivam em condições desumanas, afirmam as autoridades católicas.

O Novo Testatemento traz várias referências à pobreza e ao desapego aos bens materiais. Aos pobres de espírito, diz o Sermão da Montanha, está reservado o Reino dos Céus.

A pobreza de que fala o Evangelho de Mateus consiste numa atitude espiritual, de evitar a escravidão aos bens materiais e usá-los para boas obras, dizem os católicos.

O conceito de desapego, também está presente no Espiritismo. A doutrina codificada por Allan Kardec vê o dinheiro como matéria, algo criado pelo homem para manter suas relações sociais. Seus benefícios são reconhecidos: serve para movimentar o mundo, estimular o progresso e garantir a sobrevivência do ser humano.

Mas os espíritas lutam para não ficarem apegados ao dinheiro nem deixar que os domine e que, por conta desta busca, os tornem egoístas. Por acreditarem na concepção de uma nova vida após a morte, os espíritas sabem que não levarão com eles nenhuma riqueza material, por isso se vigiam quanto a esses vícios materialistas.


O Caminho da Doação


Queimar um incenso ou oferecer frutas a uma divindade são formas de doação. O mesmo vale para o tempo, a atenção, e os ensinamentos concedidos ao próximo.

Os budistas e taoístas acreditam que, algumas vezes esses pequenos atos surtem mais efeito que as contribuições financeiras. Porém, as doações em dinheiro não são recusadas pelas religiões. Afinal, são elas que garantem a manutenção das obras sociais e do corpo sacerdotal de templos e igrejas.

Um dos tipos mais conhecidos de contribuição religiosa é o dízimo. Trata-se do pagamento da décima parte dos rendimentos à Igreja. O costume vem da Antiguidade, quando diferentes povos ofereciam parte de suas colheitas aos deuses. Hoje, a contribuição costuma ser feita mensalmente e muitas vezes é facultativa.

Entre os evangélicos e mórmons é costume os fiéis pagarem, todos os meses, 10% do que recebem às respectivas igrejas. Eles acreditam que é extramamente razoável. Se Deus lhes dá cem por centro, por que não lhes seria penoso lhe dar dez. Quando eles fazem isso, acreditam, Deus os abençoará tanto que aqueles noventa por cento que ficaram em suas mãos serão capazes de suprir suas necessidades.

No Catolicismo, as contribuições são livres e não precisam equivaler a exatamente dez por centro dos rendimentos. O Dízimo é apenas uma terminologia para mostrar que todo fiel precisa contribuir com a Igreja, para que ela possa manter o culto e suas atividades sociais, sobretudo aquelas em favor dos pobres.

No Islamismo, quem tem um lucro anual acima de 2.500 reais é obrigado a doar 2,5% dessa quantia aos pobres. Essa espécie de imposto chama-se zakat e constitui um dos cinco pilares da religião islâmica. Zakat significa purificação em árabe. Quando a pessoa doa esse valor em dinheiro aos pobres, está purificando a sua riqueza, acreditam os adeptos.

A construção e manutenção dos templos, neste caso, é garantida por meio de outras doações, esporádicas e voluntárias. Os judeus também costumam doar parte do que excede seus ganhos - afinal, acreditam, a renda de cada indivíduo é um empréstino divino, nenhum bem material é propriedade eterna.

Em todas as crenças, portanto, o ideal de partilha - não só de si mesmo e do próprio tempo, mas também dos bens - está presente.

Doar, porém, não é apenas uma maneira de ajudar a sociedade e as igrejas. Trata-se, antes de tudo, de um ótimo antídoto contra o apego, a cobiça , o egoísmo e a ganância - ou seja, uma ajuda a si mesmo. Quando você doa está se disciplinando. Afinal, tira daquilo que possui para partilhar com o próximo. E percebe que isso não o torna mais pobre, pelo contrário.

Como disse Jesus, depois de observar a viúva pobre que doava duas meodinhas de pouco valor enquanto os demais depositavam grandes quantias na caixa de ofertas do templo: "Afirmo-lhes que esta viúva colocou mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava, mas ela, de sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver".


FIM.



Referências Bibligráficas


Livro:

Sujeito e Sociedades Complexas, de Jung Mo Sung, ed. Editora Vozes, 2002.

A Cabala do Dinheiro, de Nilton Bonder, ed. Imago Editora, 1991.





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fonte de Satisfação, Perigo de Tentação! - Parte 2


Na Bíblia, os ricos já foram duramente criticados. No Antigo Testamento, profetas ergueram a voz contra aqueles que acumulavam riquezas à custa da exploração do povo.

No Novo testamento, Jesus comparou o rico a um camelo, lembrando que é mais fácil este último passar pelo buraco de uma agulha do que o rico ir para o céu. Mas não é preciso levar esse ensinamento ao pé da letra. "Devemos atualizar o que era falado naquela época. Muitas coisas eram ditas especificamente para os romanos e gentios", diz o pastor Eduardo Oliveira, da Igreja Renacer de Pinheiros, em São Paulo.

O dinheiro e a riqueza, neste caso, não são tidos como pecado ou sinal de que não haverá salvação para o indivíduo. O dinheiro é uma benção de Deus, desde que venha de uma maneira lícita e seja resultado do trabalho, os evangélicos afirmam.

Algumas igrejas cristãs, acreditam que a graça divina não vem apenas na forma de saúde, harmonia e paz. Bênçãos também significam benefícios financeiros. É a chamada Teologia da Prosperidade, que ganhou força entre algumas igrejas neopentecostais.

Muitas igrejas funcionam como se fossem empresas capitalistas, anunciando aquilo que diz a bíblia, mas submetendo essas mensagens à vontade do mercado consumidor religioso. Para muitos pastores, a dádiva financeira não deve ser entendida apenas como um ganho econômico. Quando se fala em prosperidade, muitas vezes se pensa em uma prosperidade financeira. No entanto, muitos asseveram que eles tem um Deus de teologia completa, que os abençoa com todas as coisas.

O aumento do poder de consumo também não deve ser a mensagem principal das igrejas, na opinião de muitas autoridades católicas.  A função princiapal da religião é anunciar a salvação em Jesus Cristo. Mas não substituir a salvação escatológica pela procura de bens materiais porque isso, em parte, é uma ilusão, dizem.

As armadilhas do desejo de enriquecimento e de prosperidade são muitas.

Sorte dos fiéis, pois não faltam parábolas, escritos e ensinamentos religiosos que mostram a melhor maneira de escapar delas.

A religião islâmica tem um ditado segundo o qual o dinheiro deve ser carregado na mão e não no coração. Se ele estiver no coração, ele controla a pessoa. Se estiver na mão, a pessoa o controla, afirmam.

Mas enriquecer não significa necessariamente sucumbir à tentação. Como bem ilustra um outro ditado, desta vez judeu: "O mais longo dos caminhos é o que leva ao bolso." - Ou seja, o processo de obtenção de dinheiro também pode reservar oportunidades de autoconhecimento.

Se analisarmos o que aconteceu nessa trajetória, conseguiremos conhecer muito sobre nós mesmos, nossos medos, inseguranças, invejas e apegos, dizem os rabinos.

O Caminho do Desapego

O dinheiro parece não exercer nenhuma atração sobre os monges digambaras, na Índia. eles levam uma vida sem confortos. Abdicam dos bens materiais, até mesmo das roupas do corpo. A única coisa que carregam é um espanador feito de penas, para afastar os insetos do caminho.

Embora o desapego aos bens materiais seja uma constante em algumas religiões orientais, muitas não levam o ideal ascético ao extremo como os digambaras.

O Zen-Budismo, por exemplo, reconhece a necessidade do dinheiro. As coisas materiais podem nos dar condições de cuidar melhor de quem precisa, afirmam.

Contudo, se o dinheiro é bem-vindo, os execessos e luxos não são. Os bens materiais, acreditam os zen-budistas, embora tragam conforto, também podem aprisionar. Com o tempo, muitas pessoas não conseguem mais viver se não tiverem dinheiro sobrando, se não vestirem a roupa de grife, se não almoçarem no restaurante da moda.

Como se a vida dependesse dessas coisas. Por isso, os monges - de qualquer corrente do Budismo - exercitam o desapego com atos como raspar o cabelo, trocar as roupas pelo tradicional manto e abrir mão da riqueza pessoal.


Continua...





sábado, 27 de outubro de 2012

Fonte de Satisfação, Perigo de Tentação! - Parte 1


Amado, desejado e idolatrado, o dinheiro virou uma espécie de deus das sociedades capitalistas. Atentas ao perigo, as religiões ensinam a melhor maneira de lidar com ele e escapar das armadilhas da ganância. 

Trinta moedas de prata por um beijo. A proposta era tentadora e Judas não pensou em recusar. De olho na pequena fortuna, aceitou denunciar seu mestre aos homens que queriam matá-lo. Afinal, pensou, só precisaria beijar Jesus na face para identificá-lo para os algozes e encher o bolso de moedas.



Foi bem pago por isso. Mas, em troca, tornou-se um dos personagens mais odiados de todos os tempos, símbolo daqueles que não hesitam em trair ou mentir por uma boa quantia de dinheiro.



O exemplo de Judas é apenas um entre tantos maus atos que já foram cometidos em nome do dinheiro. Esses pedaços de papel e esferas de metal surgiram para agilizar o comércio entre os homens, substituindo a antiga troca de mercadorias.



As primeiras moedas apareceram no século 7 a.C., no reino da Lídia (atual Turquia), e facilitaram a vida em sociedade. No entanto, mais do que um meio para adquirir coisas, o dinheiro passou a ser visto como uma forma de obter poder. E por ele muito se mentiu matou, destruiu e escravizou.



O escritor inglês George Bernard Shaw certa vez afirmou: "A falta de dinheiro é a raíz de todo os males". Será que o acúmulo ou a ausência de riquezas consegue despertar o que há de pior nos indivíduos? Para as religiões, o problema não está exatamente no dinheiro, mas na forma como nos relacionamos com ele. O dinheiro é um meio, como tudo nesse mundo. Pode ser usado para o bem ou para o mal.



Em si, o dinheiro não é nada. É um pedaço de papel. O problema é que aquilo que surgiu para facilitar nossas vidas começou a ser objeto de desejos.



O dinheiro ganhou o estatus de um verdadeiro deus na sociedade capitalista. Passou a ser adorado, respeitado, temido e buscado incessantemente. O ser humano está tão influenciado pela cultura capitalista que faz do dinheiro o fim último da vida.



É isso o que todas as religiões criticam. No Cristianismo, por exemplo, a devoção ao dinheiro é combatida por ser irreconciliável com os ensinamentos de Jesus. Ele nos ensinou que não podemos servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Esta passagem se refere ao Evangelho de Mateus 6:24.



A exigência básica das religiões é que, ao relacionar-se com o dinheiro, o fiel esteja de acordo com os preceitos de sua fé. E não se trata apenas de obedecer a normas morais. algumas crenças também orientam seus adeptos sobre questões práticas envolvendo as finanças.



É o caso dos mórmons, por exemplo, que aconselham os fiéis a não contrair dívidas e a evitar compras a prazo. Eles dizem que seus membros fiéis da Igreja não tem o nome sujo na praça.


O Caminho da Properidade


A natureza está cheia de lições que ensinam a lidar com o dinheiro. É o que garantem os adeptos do Taoísmo, religião milenar chinesa.



O calor que sucede o frio, a seca após a chuva, a abundância de vida ou a escassez dela. O mundo tem seus ciclos e o dinheiro também. Por isso, é importante ficar atento a esses altos e baixo. Na nossa vida, o dinheiro segue essa lei natural. Às vezes, está menos disponível, às vezes, mais.



O grande cuidado, segundo os taoístas, é não cultivar o desejo da riqueza e agir conforme a circunstância que se apresenta. Por isso, no período de fartura, os taoístas sabem que precisam fazer uma pequena reserva para os momentos de escassez. Isso é pragmatismo!



Pragmáticos também são os mórmons. Para eles, dinheiro garante educação. Educação garante boas oportuniddes de trabalho e, com um bom emprego, o fiel pode cuidar melhor de sua família e do próximo.



Eles acreditam que tudo o que tem vêm de Deus. Diante disso, o dinheiro deve ser usado adequadamente para promover o bem de suas família, de sua sociedade e do próximo, ele afirmam. Os mórmons não condenam a busca da prosperidade e do sucesso material. Pelo contrário. Estimulam a auto-suficiência, especialmente entre os jovens, que são incentivados a destacar-se nos estudos e no trabalho. Para eles não é errado tornarem-se ricos, desde que isso ocorra com o intento de praticar o bem.



O judaísmo tembém não abomina a riqueza. A questão é o que fazer com ela. Mas é preciso entender bem o que é ser rico. No livro A Cabala do Dinheiro, o rabino Bonder explica que existem vários tipos de riqueza. Há a riqueza interna (estar satisfeito com o que tem), a pessoal (abundância material, emocional, intelectual e espiritual) e a coletiva, que é a partilha da abundância com o próximo. "Sem contemplar todas essas facetas, ninguém é verdadeiramente rico", diz ele.




Continua...


Aranel Ithil Dior. Tecnologia do Blogger.

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