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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O que foi o Tabernáculo de Israel?


"E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles. Façam tudo com eu te mostrar, conforme o modelo do tabernáculo". - Êxodo 25: 8-9

E assim foi feito. E o Tabernáculo, chamado de Mishkan - lugar da morada de Deus, em hebraico - tornou-se o primeiro santuário do povo iraelita. 

De acordo com a Bíblia, era uma construção desmontável, projetada para acompanhar os judeus na peregrinação rumo à Terra Prometida de Canaã. Junto com as tábuas dos Dez Mandamentos, as instruções sobre como erguer a edificação foram transmitidas por Deus a Moisés, no Monte Sinai, passados três meses da fuga do cativeiro, no Egito. 

A estrutura ambulante viajou pelo deserto com o povo de Israel por 39 anos antes de ser instalada em Canaã, onde permaneceu por séculos, até o Rei Salomão substuí-la por seu famoso Templo, destruído em 587 a.C., pelos babilônios.

Na verdade, há evidências arqueológicas do Templo de Salomão, mas nada em relação ao Tabernáculo. Porém, a falta de comprovação histórica não impediu que a tenda se transformasse num ícone vivo da fé judaico-cristã. 

O Mishkan simboliza a relação profunda entre Deus e Seu povo. Veja o raio X da incrível construção onde, um dia, Deus acampou entre os homens. 



A Porta - Pela fidelidade a Deus, a tribo e Levi foi separada para cuidar dos serviços do santuário. Cada clã tinha tarefas específicas na manutenção e no transporte. Enquanto alguns contavam com a ajuda de carroças durante as viagens, outros carregavam suas peças nos ombros.

A Estrutura - O material para erguer a estrutura foi obtido de doações. Os israelitas ofertaram tanto que a certa altura os operários pediram que Moisés interrompesse a coleta. Segundo o relato bíblico,  só em metais preciosos, como ouro, prata e bronze, foram arrecadadas 6 toneladas. 

A - O Pátio - Quase todas as cerimônias no Tabernáculo envolviam o sacrifício de animais, como meio de remissão de pecados ou de agradecimento a Deus. Além do altar de holocaustos, no pátio havia também uma pia usada pelos sacerdotes para lavar mãos e pés antes dos rituais. 



B - O Santo Lugar - A tenda era composta de dois compartimentos . O primeiro, chamado de Santo Lugar, abrigava a Menorah - um candelabro de 35 quilos de ouro maciço, aceso diariamente - uma mesa de ouro com 12 pães - que eram trocados a cada sábado e representavam as 12 tribos - e o altar de incenso.

C - O Santo dos Santos - O segundo compartimento, conhecido como Santo dos Santos ou Lugar Santíssimo, ficava a Arca da Aliança, símbolo do pacto entre Deus e Seu povo. Nela eram guardadas as tábuas dos Dez Mandamentos, o maná (alimento enviado dos céus) e o cajado de Aarão. Segundo a tradição, o Shekinah, sinal visível da presença do Criador, manifesta-se sobre a Arca. 

Mapa das Tribos



Planejamento Urbano - Conhecido como Ohel Moed (Tenda do Encontro), o Tabernáculo era o centro da vida de Israel. A localização das tribos no acampamento era organizada a partir da Tenda. Os levitas acampavam imediatamente ao redor do santuário, e os demais clãs tinham cada uma seu lugar específico.

Norte - Dã, Aser e Naftali

Leste - Judá, Issacar e Zebulom

Oeste - Efraim, Manassés e Benjamim

Sul - Gade, Simeão e Rúben



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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Tesouro do Islã - Parte 3



Moisés fala com Deus

Certo dia, ele disse à família: "Avistei fogo, trar-vos-ei notícias dele, ou trar-vos-ei as brasas, para acenderdes uma fogueira que vos aquecerá". Quando, porém, se aproximou das sarças, ouviu uma voz: "Bendito seja Quem está dentro do fogo e em suas vizinhanças, e glória a Allah, Senhor do Universo!

"Ó Moisés, Eu Sou Allah, o Poderoso, o Prudentíssimo."

Moiséis pensou em correr, mas Allah o repreendeu: "Não temas, porque os mensageiros não devem temer a Minha presença". Desta maneira, Moiséis recebeu o título de Kalimullah, Aquele que fala com Deus diretamente, sem intermediação dos anjos.

[Assim como narra a Bíblia, o Corão conta que, temendo ver o filho morto, a mãe de Moisés o abandonou num cesto às margens do Nilo. Salvo pela mulher do faraó do Egito, o israelita foi criado na corte. Após matar um homem, fugiu para a região de Median, onde se casou e viveu durante algum tempo, até decidir libertar seu povo do cativeiro no Egito. Para os muçulmanos, ele é lembrado como um grande benfeitor e um profeta que veio ao mundo para difundir a fé no Deus único.]



O Pecado de Adão


"Do barro criarei um homem", disse Allah.

"Quando o tiver plasmado e alentado com o Meu Espírito, prostrai-vos ante ele", ordenou aos anjos, que se prostraram, unanimemente.

Uma única criatura angelical, porém, não se prostrou diante do homem criado, que se chamava Adão. Seu nome era Lúcifer. Ele se ensoberbeceu, e dali em diante passou a se contar entre os incrédulos. Foi Lúcifer, então chamado de Satanás, quem tentou Adão, sussurando-lhe: "Ó Adão, queres que te indique a árvore da eternidade e do reino eterno?"

Adão e Eva comeram os frutos da árvore. Suas vergonhas, então, foram manifestadas e eles puseram-se a cobrir seus corpos com folhas das plantas do Paraíso. Adão desobedeceu ao seu Senhor, deixando-se seduzir. Mas logo o seu Senhor o absolveu.

[Assim como a bíblia, o Corão conta que Adão foi criado a partir do barro. mas quando se trata do episódio da tentação por Satanás, as narrativa divergem. Segundo o livro sagrado dos muçulmanos, Adão e Eva comeram juntos o fruto proibido. Este ato, porém, não é encarado no Islã como pecado, e sim como parte natural da busca humana por conhecimento, representada pelo furto. Com esta experiência, ele perdeu a pureza primordial, mas obteve o discernimento que permite ao homem escolher entre a virtude e o pecado, explicam os mulçumanos. Ao nascer, todo ser humano refaz, em seu microcosmo, segundo a doutrina islâmica, a trajetória do profeta Adão.]



Davi, o Rei Perfeito


E Allah falou a respeito de Davi: "Nosso servo, Dahud, o vigoroso, foi contrito". Quando Davi matou Golias, Allah lhe outorgou o poder e a sabedoria, e fortaleceu o seu império. Davi foi justo e reto, e o Profeta Muhammad se escandalizou quando leu as passagens bíblicas que o denegriam.

Foi então que Allah revelou o versículo condenando os profanadores das Escrituras: "Ai daqueles que copiam o Livro, alterando-o com as suas mãos para negociá-lo a preço irrisório. Ai deles, pelo que suas mãos escreveram! E ai deles pelo que lucraram!"

[Um dos grandes monarcas de Israel, Davi se sobrassai nas tradições judaica e cristã como um guerreiro corajoso e um homem de fé, mas que teria cometido desvios como abuso do poder; adultério e assassinato, embora, ao fim da vida, se mostrasse arrependido. O Corão, entretanto, tem uma visão diferente sobre o rei que unificou os israelita. Segundo as narrativas sagradas dos muçulmanos, Davi teve uma história sem máculas e dedicada à glória de Allah. Teria sido um homem perfeito.]



A Saga de Maria e Jesus


As dores do parto constragiam Maria, e ela retirou-se para um lugar afastado. Sozinha, buscou refúgio junto a uma tamareira. Disse: "Oxalá eu tivesse morrido antes disso, ficando completamente esquecida". Uma voz porém, a chamou: "Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr sob os teus pés um riacho. E sacode o trono da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas".

Desta maneira, ela encontrou alimento e água e pôde dar à luz o Messias, chamado de "Jesus , o filho de Maria".

Deus falou à Virgem: "Ele (Jesus) ensinará a escrita, a sabedoria, a Torá e o Evangelho. E será um mensageiro para os israelitas". Com o beneplácito de Allah, Jesus apresentou uma série de sinais ao seu povo e disse: "Eis que plasmarei do barro a figura de um pássaro, na qual assoprarei, e a figura se transformará em pássaros, na qual assopararei, e a figura se transformará em pássaro; curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os motos, pela vontade de Allah, e vos revelarei o que consumis e entosourais em vossas casas. Eu vim para confirmar-vos a Torá, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos estava vedado. Eu vim com um sinal do Vosso Senhor. Temei a Allah, e obedecei-me. Sabei que Allah é o meu senhor e vosso. Adorai-o. Essa é a senda reta".

Diante da incredulidade entre seu povo, Jesus encontrou apoio nos discípulos, que disseram: "Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Allah, e testemunhamos que somos muçulmanos".

[Maria ocupa o topo da hierarquia espiritual feminina no Islã, sendo considerada a mais perfeita das mulheres. Jesus, muitas vezes chamado de "Espírito da Santidade", tem também um papel de destaque no Corão. Acredita-se aque ele retornará no fim dos tempos para combater o Anticristo e criar um reino de paz na Terra, até o Dia do Juízo.]


FIM.



Referências Bibliográficas

Livros

O Significado dos Versículos do Alcorão, tradução e nota do professor Samir El Haye, ed. Jornalística, 2001.

A Bíblia, o Alcorão e a Ciência, de Maurice Bucaille, Wamy - Assembléia Mundia da Juventude Islâmica.

Compreender o Islão, de Frithjof Schuon, Edições Dom Quixote, 1990.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O que foi o Índex?


Abolido em 1962 pelo papa João XXIII, no concílio Vaticano II, o Índex era uma lista de livros proibidos pela Igreja Católica.

Desde o início do Cristianismo, as autoridades eclesiásticas tentavam controlar o que não devia ser lido pelos fiéis, mas a censura só foi oficializada no século 16, quando o pontífice Pio V instituiu a Sagrada Congregação do Índice (Índex), que elaborou um catálogo das obras proibidas, periodicamente atualizado a partir de sua criação.

Os livros só eram impressos após passar por um censor oficial, que julgava se a tinha algo de nocivo. Eram vetadas publicações que propusessem qualquer tipo de heresia ou superstição, que contivessem obsceniddes, ou que tratassem de assuntos religiosos de forma não respeitosa.

Como dizia o prefácio do Índex publicado em 1390: "Livros irreligiosos e imorais estão, às vezes, redigidos em estilo atraente e tratam com frequência de assuntos que afagam as paixões carnais e lisonjeiam o orgulho do espírito."

Segundo estudiosos, porém, o crivo da Igreja muitas vezes deu margem a arbitrariedades. De fato, fizeram parte da lista negra, por exemplo, clássicos como Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo e, A Origem das Espécies, de charles Darwin. 

Não podemos  julgar a cultura de outras épocas com os critérios da nossa, mas não há como justificar o fato de o Índex ter sido mantido por tanto tempo.


Fim.

sábado, 20 de outubro de 2012

Amor, Sublime Amor! - Parte 2



Rainha de Sabá e Salomão - Perfumes, Enigmas e Muita Paixão

Salomão, rei de Israel, um dos personagens mais experientes da Bíblia no quesito paixão, possuía um harém de mil mulheres. A ele foi atribuída a autoria do Cântico dos Cânticos, embora muitos estudiosos contestem o fato.

Os detalhes do seu relacionamento amoroso mais célebre, a paixão vivida com a rainha de Sabá, também aparecem no livro etíope Kebranagsh (Glória do Rei) e complementam a Bíblia.

A sedutora rainha de Sabá encantou Salomão ao chegar a Jerusalém com sua comitiva cercada por camelos carregados de grande quantidade de ouro, pedras preciosas e uma abundância de perfumes jamais conhecida.

A bela mulher era sacerdotisa suprema em seu país (atual Iêmen) e praticava a religião astral de adoração ao Sol e à Lua. Na entrada do suntuoso palácio, precisou levantar ligeiramente seu vestido porque pensou que estivesse andando sobre as águas quando passou pelo chão espelhado. Foi a visão das torneadas pernas negras da rainha, refletidas no piso, que fisgou Salomão.

A fama da sabedoria do rei (que também era famoso pela beleza) ultrapassava fronteiras e a mulher queria testá-lo por meio de enigmas. Expôs a ele todas as suas inquietações, prontamente esclarecidas por ele. Quando a rainha - já maravilhada por sua nobreza e belo porte - comprovou sua inteligência, perdeu o fôlego e ficou fora de si.

Encantada com as perspicazes respostas dele, encheu-o de elogios: "Eu não queria acreditar no que diziam antes de vir e ver com os meus próprios olhos, mas de fato não me haviam contado nem a metade: tua sabedoria e tua riqueza excedem tudo quanto ouvi!"

Com a madeira de sândalo que ganhou da rainha, Salomão fez balaustradas para o Templo de Iahweh e liras e harpas para os músicos do palácio real. Ofereceu à rainha tudo o que ela desejou e pediu. A sintonia era tanta que viveram uma ardente paixão.

Das noites envoltas nas mais sedutoras fragrâncias nos aposentos do castelo nasceria o jovem Meneloque, fruto desse amor arrebatador entre os dois governantes. Mas eles não ficaram juntos. Grávida, a rainha voltou com seus servos para Sabá.

Quando o filho completou a maioridade, retornou a Jerusalém para visitar o pai e levou consigo a Arca da Aliança, conforme a tradição etíope. Mais tarde, ele se tornaria o fundador da dinastia salomônica nas igrejas da Etiópia.

Esta história retrata o amor de uma mulher independente e bem-resolvida sexualmente, que fugia dos padrões da época porque escolheu com quem se deitar e ter seu filho. A história mostra que Salomão adquiriu sua sabedoria com as mulheres, porque  somente uma sábia poderia testá-lo.


Raquel e Jacó - Amar dá Trabalho!

Apesar do cansaço de vários dias de viagem, Jacó não pôde deixar de notar a linda pastora de ovelhas que se aproximava. Imediatamente, prontificou-se a remover a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas para agradar à jovem Raquel. Não consegiu controlar-se e, no ímpeto, roubou-lhe um beijo.

Mas, ao mesmo tempo, foi tomado de tristeza: eles eram primos. A muito custo, conseguiu contar à moça que era sobrinho de Labão, o pai dela. Raquel, então, o levou para sua casa, onde ele passou a morar e trabalhar para o tio.

Quando estava longe dos olhares dos outros, Jacó dedicava um bom tempo admirando a beleza da prima. O desejo de tê-la a seu lado era forte demais, mas não podia pedi-la em casamento pois não tinha dote a oferecer. Então propôs ao tio servir-lhe ao longo de 7 anos, sem remuneração, para poder casar-se com Raquel. Durante todo esse tempo, aguardou ansiosamente o dia em que teria a amada nos braços.

No fim do período combinado, Labão, porém, enganou o futuro genro. Em vez de Raquel, fez com que Jacó se casasse com Lia, a filha mais velha e menos formosa. Na noite de núpcias, como a noiva estava com o rosto coberto, Jacó dormiu com Lia na certeza de que estava deitando-se com Raquel.

Somente pela manhã ele descobriu a verdadeira identidade da mulher ao seu lado. Desesperado, foi tomar satisfações com o sogro. Labão, sem perturbar-se, sugeriu que Jacó esperasse o fim da semana de festas nupciais para entregar-lhe Raquel, com a condição de que trabalhasse mais 7 anos em suas terras.

Jacó representa o sacrifício e o compromisso pelo amor, muito diferente das relações de hoje, cada vez mais descartáveis. Ele amava uma, mas viveu a contragosto com as duas. Lia teve vários filhos na esperança de conquistar o amor de Jacó.

Raquel, no entanto, tinha dificuldade para engravidar e, por isso, cedeu sua criada particular para que ela tivesse um filho com o marido em seu lugar (este era um hábito comum entre as mulheres estéreis da época). Quando Lia não conseguiu mais ficar grávida, fez o mesmo com sua criada.

Mesmo vivendo um amor patriarcal, as mulheres tiveram poder absoluto sobre o processo reprodutivo e amoroso de Jacó. Após o nascimento de 10 crianças (seis de Lia e quatro de escravas), Raquel finalmente engravidou e deu à luz José, o mais virtuoso e bem-sucedido dos filhos de Jacó.

Anos mais tarde, teve outro filho, Benjamin, mas ela morreu neste parto.

A bigamia e a pródiga descendência de Jacó tinham um significado. Da união com Raquel e Lia nasceram 12 filhos que formariam as 12 tribos judaicas e uma nação inteira.


Continua...



Aranel Ithil Dior. Tecnologia do Blogger.

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