sábado, 28 de junho de 2014

Guerras Sem Fim... - Parte 1

(Por mais desconcertante que isso possa ser, o amor a um Deus faz com que pessoas matem e odeiem outras que pensem diferente delas... Acima, conflito recente no Egito entre muçulmanos e cristãos)

Devido a fé fundamentalista, ou por motivações políticas e econômicas, os conflitos religiosos atormentam o homem há milênios. Qual o caminho para a paz entre os credos?

Europa, fim do século 11.

Os cristãos assistiam com apreensão ao avanço territorial dos muçulmanos.

(Por trás de uma áurea de piedade, o que estava em jogo era o poder por novos territórios na Inglaterra, França e a abertura para Ásia. No fim, a fé não foi forte o bastante para manter os cruzados no calor da Terra Santa.)

Em 1095, o papa Urbano II resolveu convocar um conselho que determinou o início das Cruzadas contra os seguidores do Islã. A reação era urgente, pois os inimigos se aproximavam de Constantinopla, capital do antigo Império Bizantino. 

(Como sempre o Canal History disponibiliza um maravilhoso trabalho de reconstituição atualizada sobre as antigas cruzadas européias nas terras da Ásia. Assista!)

Nos seis séculos seguintes, milhares de pessoas - talvez milhões, pois não há uma contagem precisa - foram mortas em nome de Deus.

África, século 21.

(Mortos após a última eleição da Nigéria legitimada em 1999 fomentada pela política e pelos dissidentes de facções religiosas de cristãos e muçulmanos. Até o momento não houve outra eleição presidencial...)

A Nigéria com batalhas sangrentas entre cristãos e muçulmanos. 

Desde 2001, uma série de confrontos resultou em pelo menos 5.000 mortes, algumas delas em circunstâncias macabras. 

Mais de 900 anos separam as duas situações descritas acima. Dois contextos diferentes, mas sustentados por uma condição quase tão antiga quanto a própria civilização: a intolerância. 

(Sátira nas redes sociais... No fundo é a intolerância e o fanatismo que alimentam essas ideologias separatistas.)

Mas até que ponto as diferentes religiões aceitam ou estimulam a violência? De acordo com alguns pesquisadores, a violência é um subproduto do pensamento religioso, seja ele qual for. 

Segundo essa visão polêmica, a convicção de possuir a verdade, algo comum em várias crenças, é terreno fértil para o ódio contra aquele que é diferente. Esse ódio pode se manifestar de forma simbólica - quando o culto alheio não é permitido - ou na ponta da lança.

(Campanha contra a intolerância religiosa. Hoje, muitas religiões aceitam, entendem e fomentam a diversidade religiosa. Este cartaz foi da campanha divulgada pelos Espíritas. O Dia do Orgulho Pagão é outra tentativa iniciada no final da década de 90 para aceitação de grupos religiosos não-cristãos marginalizados como os Wiccas e os cultos Africanos.)

O problema atinge todos os credos, sem exceções. Até mesmo o Budismo, com sua mensagem de tolerância, possui manchas de sangue em sua história (confira aqui). 

De fato, as tensões religiosas são comuns desde a Antiguidade. No Egito antigo, por exemplo, existia uma rivalidade imensa entre o faraó e os sacerdotes de Tebas. No século 14 a.C, o faraó Akhenaton criou uma nova religião e um novo Deus. 

(Akhenaton, o Faraó herege, mudou um sistema religioso mais antigo que o próprio Egito e pagou com o ostracismo e destruição de sua cidade e monumentos... A morte prematura de Tutankamon, seu filho e genro,  aos 12 anos, deixou dúvidas entre os egiptólogos e muitas teorias de conspiração...) 

Saiu Amon, cultuado por  Tebas, e entrou Aton, o disco solar. 

A substituição durou até a morte do faraó, em 1336 a.C., quando os antigos sacerdotes retomaram o poder. 

Da mesma forma, os conflitos entre pagãos e os primeiros cristãos marcaram época...

[Cenas do filme Gladiador, mas que mostra bem o que os cristãos enfrentavam, sem ter como se defenderem: as feras e lutadores. No final, a morte os esperava e divertiam uma turba romana que odiava a nova fé. (Desculpe a postagem...!) Assista ao filme.]

Em Roma, os seguidores de Jesus Cristo foram perseguidos durante séculos, até que a nova religião fosse incorporada pelo Império.

Os judeus também tiveram que brigar por sua fé em várias ocasiões, como, no século 15, no auge da Inquisição, quando o rei católico Fernando, determinou a conversão de judeus e muçulmanos que viviam na Espanha e sul da França. 

(A última e terrível perseguição contra os Judeus matou milhares de crianças, mulheres, homens e idosos... Famílias inteiras mortas sem nenhum argumento convincente. A única máxima dita foi: Eles mataram Jesus Cristo! - O quê?!?)

As três grandes religiões monoteístas protagonizaram, e ainda protagonizam, os principais conflitos mundiais.  Judeus, cristãos e muçulmanos partilham de uma convicção religiosa marcada pela unicidade, e em casos concretos essa concepção veio acompanhada pela violência contra o outro. 

(A perseguição cristã ainda é algo atual, principalmente para religiões que são denominadas como pagãs, ou seja, não acreditam num Deus monoteísta ou em Jesus Cristo, pelo menos, não como um salvador da humanidade; e por isso, são perseguidos, até hoje como no passado...)

Na doutrina católica, marcada pelo axioma que afirmava a impossibilidade de salvação fora da Igreja, a relação com a diferença religiosa foi quase sempre pontuada pela tensão...


Continua...


 

sábado, 21 de junho de 2014

Quem são os Brights?

(Grupo arreligioso surgido em 2004 nos Estados Unidos e que hoje já ocupa uma representatividade expressiva em universidades e centros urbanos como mais uma forma de experimentar e vivenciar uma alternativa espiritual: O ser não-espiritualizado.)

É um grupo que, segundo seus criadores, reúne todos aqueles cuja visão de mundo é naturalista, isto é, livre de elementos místicos ou sobrenaturais.

(Paul Geisert, professor universitário e...)

De acordo com os americanos Paul Geisert e Mynga Futrell, ambos ex-professores universitários e fundadores do movimento, os brights agrupam desde ateus, agnósticos e céticos até livres-pensadores e materialistas radicais. 

(...Mynga Futrell, professora universitária. Ambos lutam pela liberdade de não acreditar em nenhum Deus, afinal, não existe nenhuma prova científica e lógica que tal entidade exista.)

Criada no início de 2003, na Califórnia, nos Estados Unidos, a associação nasceu do descontentamento de ambos em relação ao rótulo dado aos não religiosos: a alcunha godless (descrentes, em inglês).

Para minimizar os preconceitos existentes na palavra, foi criado o neologismo bright - uma referência ao adjetivo homônimo, que em inglês significa "brilhante, inteligente".

(Site na Web onde você pode encontrar os conceitos para ser um Bright, acessado por mais de 40 países diariamente.)

Em vez de se apoiarem em doutrinas, símbolos ou templos, os brights pregam a supremacia da ciência e da razão na hora de explicar os fenômenos naturais e os mistérios da existência, como de onde viemos e para onde vamos após a morte.

Eles buscam ser humanistas em relação à moral e, pragmáticos no dia a dia, usando a ciência para explicar a vida.

O objetivo do grupo, que tem ganhado repercussão com matérias publicadas nos principais jornais americanos, como o The New York Times, é identificar o tamanho desse "rebanho brilhante".

(Uma campanha Britght nos jornais e revistas americanos com um trocadilho que diz: "Tema esse cara, ele estaria melhor se deixasse seus faróis desligados".)

Feito isso, e comprovada sua dimensão - calcula-se que mais de 20 milhões de americanos não sigam nenhuma religião -, a presença dos naturalistas seria reconhecida sem preconceito pela sociedade, reforçando, assim, sua importância política e a necessidade de separação entre a Igreja e o Estado. 

Combater essa união já era uma questão presente durante a Revolução Americana, no fim do século 18. O surgimento dessa organização pode ser uma reação direta ao crescimento dos movimentos religiosos nos EUA, num período em que o último presidente usou a religião para justificar uma guerra.

(A revolução americana que lutou, dentre outras coisas, por fazer uma separação distinta entre a Igreja e o Estado; mas ao mesmo tempo utópica e hipócrita, afinal a maçonaria e os puritanos, assinaram a Constituição e permearam o Estado de símbolos e mensagens com seus posicionamentos espirituais.)

Ser uma voz ativa na sociedade é um modo de chamar para si a responsabilidade de consertar as tolices do homem, já que não há um Deus que traga a salvação, dentro do cerne desta crença.

Apesar de nova, em breve a organização poderá ter um grande número de adeptos em todo o mundo, uma vez que a ideia de separação entre fé e o Estado, assim como o da primazia da ciência sobre o espírito, não conhece fronteiras. 

Em cerca de um ano, por exemplo, o site do grupo foi contatado por brights de mais de 40 países, incluindo o Brasil. 

Isso contudo, não quer dizer que eles tenham força. Com o tempo, iniciativas como essa tendem a enfraquecer. Entretanto, até isso ocorrer, com certeza, muita polêmica será levantada sobre o tema...


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sábado, 14 de junho de 2014

Rumo ao Nirvana - Parte 5

(Nirvana é um estado de espírito. Um estado momentâneo, que o encarnado pode perder se não se focar e ter atenção contínua em seu estado emocional e espiritual. Não é um lugar a ser esperado. É a perfeição agora, aonde a calma e a plenitude pode ser alcançada pelo adepto.)

De acordo com Buda, não havia como explicar com palavras o que alguém sentia ao atingir a iluminação. Isso porque se tratava de uma experiência de alívio e paz que transcendia qualquer explicação racional. 

Apenas aqueles que conseguiram chegar ao fim do caminho souberam seu significado. 

Mistérios como esse fizeram com que nem sempre tais ideias fossem devidamente compreendidas pelo Ocidente. Para muitos não-budistas, o Nirvana seria uma aniquilação completa - um erro de interpretação bastante comum. 

(A interpretação de que o Budismo destrói os valores internos ou a percepção do Eu do indivíduo é um engano comum de todo aquele que não entende suas doutrinas. O Budismo propõe apenas que o homem contemple sua vida sob um novo ponto referencial e que não esteja apoiado em suas emoções de posse e ego.)

O Budismo não diz que todos só terão alívio quando se tornarem "nada". Muito menos defende o niilismo. O Nirvana é considerado um estado mental positivo. Basta comparar as pessoas a pequenas gotas de água. Quando a gota retorna para  oceano, se dissolve e perde a sua individualidade, e suas experiências e conquistas, tão inerentes e preciosas para aquele indivíduo, já não lhe pertencerão mais, mas à coletividade a qual ele retornou, seja numa representação encarnada ou não. 

Uma cultura bacteriana poderia ilustrar isso de forma bem interessante, afinal, apesar de estruturas independentes, uma vez participando de uma estrutura coletiva, uma reage igualmente como as outras reagirem ao meio, acabam que se tornam um só organismo.

(Buda não foi um enviado de Deuses, mas um homem que com esforço e disciplina evoluiu até merecer compartilhar sua presença com os Mestres. E é esse seu legado entre nós...)

Ao atingir a Iluminação, Sidarta não se transformou em um deus, muito menos em um santo. Entre seus fieis, a figura histórica é reverenciada como uma pessoa comum que encontrou uma maneira de acabar com o sofrimento.

O conjunto de ensinamentos deixado por Buda recebeu o nome de dharma. 

"Aquele que me vê, vê  dharma. Aquele que vê  dharma, me vê."
Samyutta Nikaya, textos búdicos.

Em seus discursos Buda também deixou claro que, antes dele, houve outras pessoas que descobriram o mesmo caminho para eliminar o sofrimento. 

Também estava certo de que viriam outros iluminados depois.

Quarta Nobre Verdade:
Existe um Caminho para Libertar-se do Sofrimento
  
A última das Quatro Nobres Verdades afirmava a existência de um roteiro para a libertação do sofrimento originado no apego e nos desejos: o nobre Caminho Óctuplo.

Essa receita para a iluminação também aparece nos textos mais antigos da religião e se subdivide em três grupos.

(O caminho Óctuplo.)

O primeiro envolve a preocupação com a moral ou conduta ética e inclui três preceitos: a fala correta, a ação correta e  modo de vida correto.

O segundo conjunto é representado pelo desenvolvimento da disciplina mental da concentração - a meditação - por meio do esforço correto, da atenção plena e da concentração correta. 

O terceiro agrupamento diz respeito à conquista da sabedoria, que abrange duas coisas: a visão correta e a intenção certa. 

(Buda também percebeu isso... A verdadeira Sabedoria no cerne do Budismo não é o acúmulo de informações que torna o indivíduo arrogante e separado dos demais, mas ver em cada situação um meio e uma forma nova de aprender a ser tolerante, flexível e acessível a si mesmo e ao próximo. Toda experiência é importante...)

Com a prática da moralidade, os budistas afastam-se do sofrimento. A ideia está em não apenas evitar os fatores que distanciam o praticante da Iluminação (como violência, mentira, roubo, uso de drogas e sexo), mas também em realizar as ações contrárias. 

Ser gentil e amável, falar sempre com precisão e sinceridade e contentar-se em ter o mínimo, por exemplo, são maneiras de conquistar a libertação espiritual. 

Pela meditação, os budistas atingem níveis de consciência cada vez mais profundos. Assim, livram-se da inconstância da mente.

A compreensão completa dos ensinamentos só pode ser conquistada quando por meio da absorção meditativa, treina-se  afastamento do "eu". 

(A meditação é um exercício de desapego. Ali você não é nada e nem ninguém, apenas um espectador de si mesmo, onde assiste, muitas vezes, surpreso, as ondas desconexas de emoções e vontades interiores que devem ser entendidas e transmutadas por meio de outros exercícios.)

As técnicas usadas pelo Budismo são uma adaptação das utilizadas na yoga, que estava começando a se difundir pela Índia na época de Sidarta Gautama. 

Primeiro, aprende-se a deixar o corpo imóvel. No estágio seguinte, domina-se a respiração a ponto de reduzi-la a quase a zero. Depois, desenvolve-se o foco num objeto ou uma ideia, eliminando distrações. 

Mais tarde, mergulha-se progressivamente no interior de si mesmo. 

Ao praticar a sabedoria, os budistas entendem  significado do dharma. É necessário relfetir sobre as Quatro Nobres Verdades, sobre a inconstância do mundo e sobre a não-existência do mundo e sobre a não--existência do "eu".

Também deve haver boa vontade e uma atitude pronta de renúncia. De acordo com o pensamento original de Buda, apenas aqueles que estivessem dispostos a abraçar a vida sagrada conseguiriam chegar ao Nirvana. 

(Uma vida simples é uma vida que não tem apoios em bases instáveis como planejamentos futuros, desejos por objetos sólidos mas não permanentes, emoções onde a posse e o status dão as cartas. Uma vida simples é estar apoiado em si mesmo e entender que tudo muda, transforma, renova e recomeça...)

Era preciso seguir o exemplo dado por Sidarta Gautama e virar um monge mendicante. 

Séculos depois, no entanto, o conceito tornou-se bem mais flexível.


Fim.:.


Referências Bibliográficas

Livros

Buda, de Karen Armstrong, ed. Objetiva, São Paulo, 2001.

Dhammapada - A Senda da Virtude, trad. Nissim Cohen, ed. Palas Athenas, São Paulo, 2000.

Buddhist Scriptures, organizado por Donald S. Lopez, ed. Penguin Books, Reino Unido, 2004.



sábado, 24 de maio de 2014

Que Energia é utilizada no Reiki?


É a energia vital do cosmo, ou rei, em japonês, que interage com a energia vital dos seres vivos, ou ki, para exercer  efeito de cura, conforme as ideias de Mikao Usui, o japonês que desenvolveu esse conhecimento no fim do século XIX. 

(Mikao Usui, criador da técnica do reiki, monge budista e estudante de técnicas holísticas de fortalecimento do corpo físico através dos corpos sutis.)

Acredita-se que essa energia pode ser captada por todas as pessoas, o que promove nelas equilíbrio físico, mental e emocional.

(O reiki também pode ser utilizado pelo indivíduo em si mesmo, ele apenas precisa saber qual energia, elétrica ou magnética, a ser usada em determinada parte do corpo que só recebe a energia correspondente.)

Ocorre, segundo os especialistas, que muitos têm esse fluxo congestionado por traumas e/ou estresses, e isso bloqueia os chamados centros energéticos do corpo. 

(O reiki é uma energia primordial que o corpo desprende o tempo todo de seu ki, no entanto, o praticante tem consciência e domínio dessa energia, e sabe canalizar na forma e intensidade necessária para o trabalho requerido. Mas apenas o iniciado por um mestre saberá utilizar de forma correta todos os preceitos da técnica.)

De acordo com a crença, esse canal pode ser restabelecido numa cerimônia de iniciação, na qual o aluno recebe a energia vital por meio de um mestre.

 (O reiki é uma técnica de imposição de mãos, algo muito antigo na história da humanidade. Hospitais europeus e americanos adotaram essa técnica alternativa para alívio emocional e físico de pacientes terminais. O Hospital das Clínicas em São Paulo é pioneiro nesta área, habilitando voluntários para trabalharem nos hospitais no Paraná e Rio Grande do Sul.)

A cerimônia tem como objetivo trabalhar os chakras superiores, por onde entraria a energia vital, e ativar as mãos, que servem como transmissores da energia. 

(A Universidade de Yale e o Hospital New Haven, Estados Unidos, são os grande incentivadores e disseminadores do Reiki nos hospitais do mundo todo, habilitando voluntários e profissionais e, oferecendo uma metodologia para uso em alas hospitalares especiais.)

(Não existe uma explicação que comprove como essa energia corporal se desprende e se incorpora no paciente. No entanto, o que sabemos é que a melhora do paciente é visível ofertando não apenas a cura, mas uma visível resposta aos medicamentos e tratamentos médicos.)

Depois da iniciação, que dura cerca de quatro dias, o aluno pode fazer a aplicação, colocando as mãos sobre a região dos sete chakras de seu corpo ou de outra pessoa, o que permitiria o fluxo de energia. 

A energia pessoal não é transmitida nesse processo. 

Quem está aplicando serve apenas como um canal.

Para saber mais, acesse:

Organização Brasileira de Reiki - www.ab-reiki.com.br 


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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rumo ao Nirvana - Parte 4

Tudo começou a fazer sentido para Sidarta...

Os prazeres são naturalmente fugazes. O problema é que as pessoas não enxergam isso, teimam em apegar-se a essas sensações boas e, ao mesmo tempo, passageiras.

(O prazer não é visto como pecado no budismo. O prazer é uma distração que deve ser retirada da vida do adepto, se ele quiser trilhar de forma mais eficaz sua trasncendência. A alegria, um tipo de prazer, pode ser alcançado de outras formas...) 

Como não conseguem mantê-las, sentem-se frustradas e infelizes. O ciclo, então, se repete com novas alegrias e novas perdas. Na opinião de Sidarta havia, portanto, uma grande incompreensão humana sobre o efêmero que caracteriza o mundo.

Além do desejo e do apego, outro fator que causa sofrimento é, segundo Buda, a falta de entendimento que os indivíduos têm de si mesmos. 

(A meditação é a forma mais pacífica do ser humano conhecer-se e aprofundar-se dentro de si mesmo, sem que essa experiência seja algo traumático ou desconfortável. Em suaves etapas, o indivíduo começa e conhecer seus pensamentos e enfrentá-los, de forma consciente e corajosa.)

Assim como os homens tentam agarrar-se ao impermanente que os cerca, fazem a mesma coisa com o seu mundo pessoal. Prendem-se ao ego, mas enganam-se uma vez mais. 

As ideias a respeito do mundo transformam-se continuamente para qualquer pessoa. A todo momento surgem novos pontos de vista. Além do mais, bastava refletir sobre algo que, logo em seguida, o foco se desviava para um tema totalmente diferente. 

(A mutabilidade é algo incontrolável e inevitável. Portanto, a crença num Deus Imutável não existe nas doutrinas budistas. Deus, acima de todos, é o maior provocador de mudanças, pois essa é Sua essência, e Ele depende dela para também transcender-se num Deus melhor e maior a cada nova Era Cósmica.)

Assim, como cada homem está condenado a tornar-se outro a cada instante, a personalidade passa a ser entendida com um conjunto fluido de pensamentos e vontades. Buda concluiu, então, que não existe alma e muito menos o "eu", a personalidade imutável e bem definida de cada ser humano.

Por fim, esquematizou essa percepção enganosa do "eu" num conjunto de denominado de Cinco Agregados. 

(Se os sentidos do homem são um guia, para onde eles o levam? Para Buda, manter-se conectado apenas a uma percepção de sensações, de cheio ou vazio, faz com que o homem não cresça, e quase sempre, caia em vícios, onde a fraqueza do caráter, geralmente está ligada, a uma fraqueza física.)

O primeiro deles é o corpo físico (rupa). O segundo, o sentimento, ou sensação (vedana), formado pelas experiências recebidas de modo sensorial, como dor e prazer. 

Em seguida vem a percepção, ou cognição (sanna), constituída pela elaboração de conceitos mais elementares, como raiva e paixão. As ideias mentais mais complexas - decisões, opiniões, teorias - formam o quarto agregado (sankhara). O último é a consciência (vinnana), responsável pela separação entre o "eu" e o mundo externo.

(Matrix, o filme que mesclou conceitos budistas com a percepção da não realidade dos homens modernos)

Reunidos, esses elementos em mutação formam  que se poderia chamar de indivíduo.

Quanto mais refletia, crescia em Sidarta a certeza de que o "eu" não existia.

Terceira Nobre Verdade:
A Eliminação dos Desejos Extingue o Sofrimento

Diante da impermanência que caracteriza a vida, restava saber como encontrar a paz interior.

Sidarta Gautama afirmou que aquele que conseguisse eliminar tanto a insatisfação como a ignorância sobre a realidade, atingiria o nível espiritual mais elevado de todos, o Nirvana, em que o sofrimento seria finalmente abolido.

Nesse momento, a pessoa se tornaria um Buda.

(Não existe a realidade, mas apenas o que você acha o que ela seja... Uma vez quebrada a falsa consciência de permanência, você mudará sempre seu destino, pois agora, sim, você estará livre para escolher: livre de seus sentimentos e ideologias, que são sempre fatos passageiros e mutáveis.)

No fundo, é um raciocínio parecido com o dos médicos: Constata-se a doença, procura-se a causa e, quando é encontrada, aplica-se a terapia que a elimina. 

Chega-se a Nirvana...

O conceito de Nirvana guarda semelhança com o de moshka, do Bramanismo. Ambos simbolizam o alívio final que vem com a liberação do samsara, o ciclo de reencarnações.

Contudo, enquanto um significa a comunhão com o Deus Brahma, o outro vinha da união com a impermanência do mundo.

Mas como seria alcançar o Nirvana?



Continua...


 

 

domingo, 4 de maio de 2014

O Que é a Maçonaria?

(Cerimônia maçônica de elevação do grau Adepto ou Aprendiz para o Companheiro ou Conselheiro)

Baseada nos princípios de liberdade de pensamento e expressão, a maçonaria é uma fraternidade voltada ao aperfeiçoamento individual de seus membros e, em última medida, de toda a humanidade.

(A Maçonaria é uma fraternidade das mais antigas do mundo. Não sabemos exatamente sua origem. Sabemos apenas que sua estrutura interna é encontrada também no antigo Egito entre os sacerdotes dos templos)

A organização, cujo nome deriva do termo maçon (pedreiro, em francês), originou-se de corporações de ofício na Idade Média, espécie de germe dos sindicatos modernos, onde aprendizes e mestres se reuniam para discutir questões profissionais. 

Essa seria a "maçonaria operativa", voltada para o lado prático do ofício.

Com a proliferação das Universidades e o ingresso de homens de outras áreas de conhecimento, surge a "Maçonaria Filosófica".

(Grande Loja Maçônica inglesa também conhecida como Franco-Inglesa. Operante desde 1717)

A maçonaria como a conhecemos hoje tem origem em 1717, com a criação da Grande Loja Maçônica da Inglaterra.

Embora não seja uma sociedade secreta, todos os rituais da ordem, que incluem desde sinais até um vocabulário próprio, são conhecidos apenas pelos maçons, reforçando a aura de mistério que envolve a organização.

(A juventude Maçon participa de trabalhos internos e externos na Cidade Vitória da Conquista. São muito ativos e dinâmicos. Encontro deste sábado 03/05/2014 )

Esse sistema de comunicação interna funciona como um meio dos irmãos maçons se reconhecerem entre si.

O estudo maçônico é dividido em graus, sendo que cada um tem seu código específico de símbolos.

Ao entrar para a maçonaria, o indivíduo torna-se um Aprendiz. Depois de um ano, passa por um exame para atingir o grau dois, de Companheiro.

Mais um ano, e novos rituais, obtém o grau três, de Mestre. 

(A maçonaria escocesa é um ramo tradicional, provavelmente um dos mais antigos, com vestígios dos templários em seus rituais. O presidente americano Barack Obama é um ilustre representante da maçonaria escocesa que contém os 33 graus de superioridade ou ascendência)

Há ainda graus que vão do 4 ao 33 - chamados filosóficos - cuja obtenção é opcional e não tem limite de tempo.

(A Ordem Stella Matutina está na cidade de Vitória da Conquista desde a chegada da maçonaria. É um grupo maçônico, que tenta manter os rituais tradicionais distribuídos em 10 graus. O 11º grau é especial e é chamado de Ipsissimus Magister)

Há também pequenos subgrupos dentro da maçonaria que por motivos internos e mágicos, dividem seus graus em 10 etapas, sendo o maior e mais difícil, o grau Ipsissimus Magister, que o adepto alcançará após alguns anos de permanência na Ordem.

Os membros da fraternidade reúnem-se em lojas como são conhecidas as assembleias de maçons e, em geral, realizam sessões semanais.

Mesmo pregando a ausência de qualquer preconceito, uma das leis da maçonaria proíbe o ingresso de mulheres na ordem. Essa proibição nada tema a ver com discriminação sexual, apenas é uma forma dos rituais estabilizarem as energias elétricas e magnéticas em suas ações.

(A adesão de mulheres sempre ocorreu na Inglaterra, na Escócia ainda hoje é limitada a presença feminina nos rituais de superioridade. Na cidade de Vitória da Conquista, as mulheres tem alcançado grande independência, efetuando trabalhos próprios da ordem)

Contudo, ao longo dos anos, a separação interna ritualística tem sido ignorada por ordens mistas ou os pequenos subgrupo já citados, dentre elas, A Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain, e a Ordem Stella Matutina, que proclamam a igualdade entre os sexos.

Seja como for, para ser aceito numa ordem, o indivíduo deve ser indicado por um maçon, ou ser filho de um, que avaliará seu comportamento na vida social.

(A Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain, a Perfeita Loja, localizada em Paris, França)

Mas não pára por aí. 

O perfil do maçon não passa apenas pela moral e pelos bons costumes, mas também requer que a pessoa esteja em busca de crescimento espiritual.

Tal exigência se explica: Apesar de não ser uma religião, a organização proclama o princípio de Deus como sendo O Grande Arquiteto do Universo.

A História é repleta de maçons famosos, como compositor alemão Ludwig Van Beethoven, o ex-presidente americano George Washington e o general francês Napoleão Bonaparte, entre tantos outros...

(O imperador brasileiro, Dom Pedro I, maçon, sempre carregou em suas medalhas os sinais da Ordem e Grau que participou)

No Brasil, um dos maçons ilustres foi o imperador Dom Pedro I, que compôs o hino maçônico brasileiro:

"Humanos sacros direitos,
Que calcarão a tirania,
Vai, ufana restaurando,
A pura Maçonaria..."


Saiba mais...

http://www.lojamaconica.org.br

Pequena História da Maçonaria, de C.W. Leadbeater 33º, ed. Pensamento, 2007.

O Esoterismo na Ritualística Maçônica, de Eduardo Carvalho Monteiro, ed. Madras, 2004.


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domingo, 27 de abril de 2014

Rumo ao Nirvana - Parte 3

Existiram Vários Budas?

A ideia de que um único Buda andaria pela Terra não era aceita por Sidarta Gautama.

(Complexo de Templos em Ajanta, Índia, onde os afrescos recentemente aberto ao público tem fascinado visitantes e historiadores nestes últimos 3 anos de pesquisa sobre uma nova faceta do budismo)
 
Em seus discursos, ele fazia questão de ressaltar que não havia inventado um conceito novo - apenas recuperado uma sabedoria extinta fazia tempo.

(Uma história contada através das esculturas lindamente detalhadas num megalito maciço onde as vidas dos Budas encarnados são apresentadas)

Para ele, outros homens haviam atingido a Iluminação no passado e outros passariam pelo mesmo processo no futuro (os budistas acreditam que o próximo Iluminado será o Buda Maitreya, "O Amoroso").


(Este nicho em Ajanta é iluminado apenas uma vez ao ano. No solstício de verão, Buda é iluminado pelo primeiro raio de sol do dia mais longo... A Geoarqueologia é uma disciplina fascinante onde descobrimos como templos e lugares estão dispostos de acordo com as estações do ano, estrelas e planetas)

Vale ressaltar também que Sidarta ficou conhecido como o Buda Sakyamuni, ou "aquele que veio do clã dos Sakya". 

Tal especificação só é compreensível quando se admite que havia outros Budas.


As Nobres Verdades
Primeira Grande Verdade: A Vida é Feita de Sofrimento.

Algumas das ideias de Buda tiveram como raízes crenças que eram difundidas na Índia no século 6 a.C.

Para o Bramanismo, religião que deu origem ao Hinduísmo, a alma de cada ser humano carregava o conjunto de ações da ida anterior - boas ou más. Isso determinava como seria o seu presente, definiria seu destino.


(O Carma são ações passadas se refletindo no presente. O propósito da reencanação é quitar o débito e transformar o futuro. O Budismo ensina que o adepto deve interromper este ciclo encarnatório que desgasta a alma do indivíduo e, numa outra perspectiva, nunca tem fim.)

Quanto pior alguém se comportasse, maior seria seu sofrimento na reencarnação seguinte. 

Se, por outro lado, procurasse praticar atos de bondade, teria recompensas quando voltasse ao mundo. O conceito recebeu o nome de carma e explicava porque as pessoas viviam em condições diferentes umas das outras. 

Além disso, deixava de fora a esperança de uma redenção no curto prazo, uma vez que prendia os homens a um ciclo interminável de nascimento, sofrimento e morte, denominado samsara.

(As almas partem todas juntas e são tratadas todas de um mesmo jeito: Transcender é a Lei universal. Mas ao reencarnarmos outras leis entram em ação. Buda questionou o quanto dessas Leis eram válidas e quais, de fato, eram divinas ou humanas.)

Os seres humanos estariam, assim sujeitos a uma repetição infinita das piores dores da existência. Quem se afastasse do mal poderia melhorar seu carma, o que o ajudaria a escapar desse caminho. 

A salvação, contudo, viria apenas para aqueles que também atingissem o supremo grau de conhecimento da natureza de si mesmos - a libertação, ou moshka. A partir daí, eles entrariam em comunhão com o deus Brahma e estariam livres para sempre do samsara.


Sidarta Gautama não ficou satisfeito com esse modelo. Ele enxergava um problema na sensação de impotência diante do hoje causada por esses dois conceitos. 

 
(O Samsara é o sentimento de sofrimento que todo encarnado traz consigo, mas não consegue explicar por quê. Os medos, fobias e sensações de tristeza constante diante de uma vida abundante, são sinais de samsara. Se numa encarnação nova, eu continuo sentido algo velho, qual a esperança de recomeçar?)

Como ser feliz se ações de uma encarnação anterior nos condenavam a uma série de dificuldades e tragédias até a morte?

Dificilmente alguém poderia sentir alívio...

Tanto o Carma como o Samsara não poderiam mais continuar como o centro das atenções...! O problema central era o sofrimento em si (duhkha, em sânscrito), a dor e/ou a insatisfação frequente.

Para Sidarta, esse sentimento tolhia as pessoas e as distanciava de Iluminação. Ele não estava falando apenas da tristeza que surge como consequência de momentos trágicos da vida, mas também dos aborrecimentos pequenos e muito mais frequentes no cotidiano, como o medo de engordar ao comer um doce!

Não era uma visão pessimista.

Buda sabia que existiam momentos bons. O que o intrigava era o motivo por que esses não duravam!


Segunda Nobre Verdade: O Sofrimento tem Origem no Desejo.


Observando cuidadosamente a natureza, Buda percebeu uma constante transformação.

As plantas brotavam, cresciam e ficavam diferentes a cada minuto.

 
(As percepções ativam o Carma, como nesta foto, a qual você pode identificar paz, liberdade e amor; ou melancolia, tristeza e separação. O casal está caminhando juntos ou lado a lado. O Carma de cada um muda a perspectiva de uma percepção compartilhada com outras pessoas...)

O tempo esquentava e esfriava...

No plano das sensações humanas, isso se repetia.

O cheiro de uma flor podia provocar felicidade, mas a emoção podia mudar se alguém sentisse o mesmo perfume dias depois. Era a Impermanência (annica, em sânscrito).



Continua...



Aranel Ithil Dior. Tecnologia do Blogger.

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